Levantamento citado pela consultoria aponta que a barreira principal não está na tecnologia, mas na dificuldade de transformar operações e governança.
A Genpact afirma que apenas 12% das empresas avaliadas em um levantamento com 500 executivos seniores podem ser classificadas como líderes reais em inteligência artificial. Segundo Sanjeev Vohra, diretor de tecnologia e inovação da consultoria, esse grupo se diferencia por colocar sistemas de IA em produção, medir resultados de negócio e manter mecanismos de governança para acompanhar o valor gerado.
De acordo com Vohra, em entrevista ao podcast Eye on A.I., os demais 88% das companhias ainda estariam entre a fase de testes e a estagnação. Na avaliação relatada por ele, o obstáculo mais recorrente não seria a falta de apoio da alta liderança nem a maturidade das ferramentas, mas o que a Genpact chama de “middle congelado”: gestores intermediários pressionados pela rotina operacional, mas essenciais para que a adoção avance dentro das áreas de negócio.
O executivo também afirmou que muitas empresas tratam copilotos de IA como objetivo final, quando deveriam vê-los como uma etapa inicial de uso. Segundo Vohra, a próxima onda inclui agentes de IA mais autônomos, enquanto a maior parte das organizações ainda não teria programas robustos de governança para lidar com esses sistemas.
Na visão apresentada pela Genpact, a diferença entre líderes e retardatários passa por adoção prática, sinais claros da liderança e disposição para implementar antes de ter um plano considerado perfeito. Vohra citou como exemplo interno o envolvimento direto do CEO da própria Genpact em atividades de programação com IA, descrito por ele como um sinal forte para a organização.
O executivo projetou ainda ganhos relevantes de produtividade com IA, como engenheiros significativamente mais produtivos e profissionais de negócios mais capazes com o apoio das ferramentas. Segundo ele, empresas que esperarem por roteiros completos antes de começar a transformação tendem a ficar para trás em relação às que priorizam avanço incremental e medição contínua de resultados.
Segundo a Genpact, a barreira principal não é a tecnologia, mas a dificuldade de transformar operações e a existência do 'middle congelado' — gestores intermediários presos à rotina que não conseguem escalar a adoção. As empresas líderes se diferenciam por colocarem a IA em produção, medirem resultados e manterem governança.
O termo descreve os gestores intermediários que são essenciais para o avanço da IA nas áreas de negócio, mas que ficam estagnados devido à pressão da rotina operacional, impedindo a escalabilidade das iniciativas.
A Genpact alerta que os copilotos de IA não devem ser tratados como um objetivo final, mas sim como uma etapa inicial. A próxima onda envolve agentes de IA mais autônomos, o que exige que as empresas já desenvolvam programas robustos de governança.