A autora de O Conto da Aia afirma que a qualidade das respostas da inteligência artificial depende diretamente dos dados usados no treinamento dos modelos.
A escritora canadense Margaret Atwood, conhecida por obras como O Conto da Aia e O Assassino Cego, abordou o impacto da inteligência artificial na literatura durante o festival Babell, realizado no Porto, em Portugal. Segundo o portal Deadline, a autora não poupou críticas ao avaliar a atual fase da tecnologia, resumindo o problema central dos sistemas generativos ao clássico princípio da computação: "lixo entra, lixo sai" (garbage in, garbage out).
A máxima utilizada por Atwood destaca uma vulnerabilidade estrutural e amplamente documentada no desenvolvimento de modelos de linguagem. A qualidade, a precisão e a coerência das respostas geradas por essas ferramentas são diretamente dependentes do volume e da curadoria dos dados utilizados em seu treinamento. Se o sistema for alimentado com informações enviesadas, incorretas ou de baixa qualidade, os resultados finais refletirão esses mesmos defeitos.
De acordo com o relato do festival, a autora relatou ter testado pessoalmente ferramentas de inteligência artificial. A experiência serviu para reforçar sua visão cética sobre a capacidade da tecnologia de replicar o processo criativo humano de forma autônoma e confiável. Para Atwood, a máquina opera estritamente dentro dos limites do que lhe é fornecido, sem o discernimento necessário para separar o material relevante do ruído.
A declaração se alinha a um debate crescente na indústria de tecnologia e no setor criativo. Especialistas em desenvolvimento de software têm alertado repetidamente sobre os riscos das alucinações — quando a IA apresenta informações falsas como se fossem fatos — e sobre a propagação de vieses históricos e sociais contidos nas bases de dados de treinamento.
Enquanto empresas de tecnologia investem bilhões no aprimoramento de grandes modelos de linguagem, figuras do meio literário continuam levantando questionamentos sobre os limites éticos e práticos da automação da escrita. A posição de Atwood reforça a percepção de que, independentemente do avanço do poder de processamento, a curadoria humana dos dados permanece um obstáculo técnico fundamental para a maturação da inteligência artificial.
Margaret Atwood afirmou que a inteligência artificial padece do princípio "lixo entra, lixo sai". Para a autora, a qualidade e a precisão das respostas da IA dependem diretamente dos dados usados em seu treinamento, sendo incapaz de separar informações relevantes de ruídos.
A máxima destaca uma vulnerabilidade estrutural dos modelos de linguagem: se o sistema for alimentado com informações enviesadas, incorretas ou de baixa qualidade durante o treinamento, os resultados finais gerados refletirão esses mesmos defeitos, gerando alucinações e vieses.
Atwood tem uma visão cética sobre a capacidade da IA de replicar o processo criativo humano de forma autônoma e confiável. Ela reforça que a máquina opera apenas dentro dos limites do que lhe é fornecido, sendo a curadoria humana dos dados um obstáculo técnico fundamental.