Mecanismo que usa mercados de previsão para aprovar propostas em DAOs apresenta falhas de segurança que exigem intervenção humana, segundo especialistas.
Modelos de governança descentralizada que utilizam a chamada "futarquia de ativos" (asset futarchy) apresentam vulnerabilidades estruturais que comprometem sua segurança quando operam de forma totalmente autônoma. Nesse sistema, propostas são aprovadas se mercados condicionais preverem que o valor de um token será maior no cenário de aprovação do que no de rejeição. No entanto, a confiabilidade dessa comparação de preços falha quando o mercado reflete comportamentos estratégicos em vez do efeito causal real da proposta sobre o valor do ativo.
De acordo com uma análise técnica, propositores mal-intencionados podem manipular o sistema para fazer com que os ativos condicionais de aprovação negociem acima dos de rejeição sem gerar valor real para os detentores do token. Um exemplo é a "entrega contingente à resistência", em que o proponente promete executar um trabalho benéfico, mas prioriza a aprovação da proposta defendendo ativamente a diferença de preço entre os cenários para embolsar o pagamento e, posteriormente, ignorar a entrega do serviço.
Para mitigar esses ataques, torna-se necessária a implementação de barreiras manuais de revisão e penalidades avaliadas por humanos. Especialistas apontam que uma futarquia robusta de ativos não pode ser totalmente autônoma e sem permissões, pois exige revisores para julgar se os termos de uma proposta foram abusivos. Essa camada de revisão introduz um problema de centralização, transformando os revisores em uma superfície de governança confiável que pode aprovar propostas maliciosas próprias enquanto bloqueia contrapropostas.
Portanto, as defesas propostas para o modelo substituem ataques de mercado por uma assunção de centralização, em vez de eliminar o risco de governança. A limitação atual indica que a confiança total em mecanismos automatizados de mercado para tomada de decisões em organizações descentralizadas ainda esbarra na necessidade de supervisão humana para evitar manipulações financeiras e garantir a execução das propostas.
A futarquia de ativos é um modelo de governança descentralizada que utiliza mercados de previsão para aprovar propostas. Nesse sistema, uma proposta é aceita se os mercados condicionais preverem que o valor do token será maior no cenário de aprovação do que no de rejeição.
O sistema é vulnerável a manipulações estratégicas, como a 'entrega contingente à resistência'. Propositores mal-intencionados podem inflar artificialmente o preço do cenário de aprovação para embolsar o pagamento e, posteriormente, não executar o serviço prometido, falhando em gerar valor real.
Especialistas apontam que é necessária a implementação de barreiras manuais de revisão e penalidades avaliadas por humanos. No entanto, isso introduz um problema de centralização, tornando os revisores uma superfície de governança confiável que também pode ser alvo de manipulações.